Há anos não participava dessas atividades promovidas pela prefeitura, organizadas pela enfermeira de Tangará e que tem como objetivo enganar a população sobre a verdade do que se pretende fazer. E mais do que nunca se percebe que o que se quer mesmo é o exercício do poder através de corpos dóceis, ora se utilizando das conhecidas vovozinhas do SUS, ora se utilizando dos paus mandados como João Veneno, ora fazendo uso de marinheiros e, como é o caso deste episódio sobre o qual começo a tratar, ora utilizando-se de todos estes corpos dóceis silmultaneamente.
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Quem foi ao Centro Social e Pastoral de Mipibu, nesta quarta-feira, 22, assistiu uma verdadeira encenação. Mas, daquelas encenações baratas, sem qualquer novidade ou emprego de novas tecnologias para enfeite e mascaramento dos intervalos entre os atos.
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Participando da cena montada estavam a vovozinha tangaraense do SUS, que está mais para o serviço de geriatria e cujo desgaste temporal nem mesmo o habilidoso Ivo Pitangui poderia sublimar, o João dos Venenos, potente e eterno animador de palco das organizações Ferreira e membro vitalício de cargos de conselho e sua troupe. Presente também estava o marujo, estafeta oficial e membro de todos os conselhos da cidade, mais conhecido como testa de ferro da vovozinha do SUS, sempre disposto a cumprir com as suas ordens seja a que preço for, já devidamente orientado para ocupar mais uma vaga em conselho.
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Confesso que não aprecio muito a arte circense, mas creio que o ilustre palhaço Facilita teria feito bem melhor.
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Depois de muita falação e embrólio, duas coisas se revelaram patentes no desejo das organizações Ferreira:
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a) controlar mais um conselho na cidade, através da indicação da grande maioria dos seus membros;
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b) diante da incapacidade e incompetência da prefeita para debater e encontrar respostas para os problemas sociais da cidade, impor restrições a liberdade de ir e vir dos jovens de São José de Mipibu, através da implantação de um TOQUE DE RECOLHER.
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O primeiro ponto é prática conhecida desta gestão e das organizações Ferreira. E essa é uma das mais brandas, pois, pessoalmente conheço outras que, se reveleasse aqui, arrepiaria até mesmo os cabelos do careca portuga.
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A segunda, o tal Toque de Recolher, é, de longe, uma violação gravíssima dos direitos humanos. Ora, irmão e irmã leitores, é pública e notória a incapacidade da prefeita para administrar a cidade. E não sabendo como resolver o problema social da droga recebe a orientação da vovozinha do SUS para implantar o Toque de Recolher como solução.
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Em sua fala a representante do Ministério Público, Heliana Germano, promotora competente e profunda conhecedora e defensora dos direitos humanos, se posicionou contra o tal Toque e Recolher, reconhecendo a inconstitucionalidade da proposta.
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O atual delegado de polícia de Mipibu, bacharel Robson Coelho, de
u uma verdadeira aula de cidadania e, fugindo as falas tradicionais de base achistas, deixou claro que o que faltam são políticas públicas de verdade e vontade política. "Quando se quer, basta um telefonema para resolver muitas coisas!", desabafou o delegado.
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Mas você deve estar se perguntando, Perceval, e o que seria este tal Toque de Recolher?
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Pois bem! Vamos ao indecente Toque de Recolher. Segundo defendeu o animador de palco das Organizações Ferreira, durante o espetáculo circense, a solução para acabar com o uso de drogas ilícitas na cidade de São José de Mipibu seria proibir os jovens de estarem nas ruas após um determinado horário. Ou seja, se você tem idade menor que os 18 anos, por exemplo, não poderia permanecer nas ruas da cidade após as 22 horas. E, se for pego pela polícia, fora do horário autorizado, será detido.
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Particularmente creio tratar-se de uma proposta indecente e incabível numa democracia. Isto para não entrar no mérito de uma discussão no âmbito judicial sobre a constitucionalidade de uma medida desta e seus efeitos práticos. De qualquer forma a idéia deixa transparecer que ao invés de nos dispormos a discussão sobre a temática, as relações de causa e efeito, o poder local está atordoado e sem qualquer outro interesse senão o de controlar mais um espaço de debate, para impedir a construção de qualquer iniciativa democrática responsável.
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O que a sociedade mipibuense tem que se perguntar é o que temos para oferecer aos nossos jovens para que eles deixem as drogas ou nelas não entrem? Quais os investimentos em políticas sociais para a juventude foram feitos pelo governo local?
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Quanto do orçamento municipal foi destinado para oferecer aos jovens oportunidades de lazer, formação, emprego, ...?
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A última cena do espetáculo foi previamente ensaiada repetidas vezes nos porões da fazenda de Lagoa do Fumo. Nela, um marujo, que se diz produtor rural e representante da associação de produtores rurais Jorge Ferreira, foi consagrado conselheiro. O mesmo marujo que, em uma única encarnação, é agente de saúde, professor, conselheiro de saúde e de não se sabe quantos conselhos mais.
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Gesto digno de parabéns deu o nosso pároco, Padre Matias, quem, ao perceber onde estavam querendo jogar o bom nome da nossa Igreja Católica, decidiu não participar. Sendo seguido pelos membros da Sociedade Terra Viva, que, após perceberem o golpe armado contra a democracia, também desistiram de fazer daquela enganação.
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Mais uma vez o Povo Mipibuense foi traído, enganado e aviltado em seus direitos.