Por Perceval Carvalho*
Assim como Paulo, parece que mais alguém sofre com espinhos na carne. Basta saber que o movimento em defesa dos direitos humanos está a promover alguma atividade ou apoiar alguém que sofre algum tipo de violência e o amigo do maligno se agita com seus espinhos, que o cutucam de forma insuportável. Tanto que não consegue se controlar e passa a descarregar a sua diaréia literária sobre as massas, na tentativa exclusiva de se aliviar.
E o espinho lhe aperta...
Em uma espécie de masturbação literária, o energúmeno parece delirar sobre o que não domina e nem tampouco é conhecedor. Tenta exibir-se sobre a fraqueza dos incautos fomentando o ódio e a violência entre irmãos.
E o espinho lhe aperta...
Incapaz de entender seu próprio estado espinhesco e cutucante, trilha decadente arrastando seu rabo de palha e, ululante, com um pequeno palito de fósforo nas mãos, tenta acender a fogueira das vaidades.
E o espinho lhe aperta...
O espinhoso é incapaz de retirar o espinho da própria carne e, assim, reclama e reclama insatisfeito. Ora por uma criança que se agita próximo de si e, autoritário, manda que saia, ora por outro que fica feliz ali... Tudo lhe causa inveja e aperta-lhe o espinho. A felicidade alheia é motivo de sua infelicidade, o seu espinho.
E o espinho lhe aperta...
Mas as pessoas de bem e do bem sabem muito bem qual é o seu espinho. E somente o próprio pode retirá-lo e curar-se de todo o mal.
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* Perceval Carvalho - ativista do Movimento em Defesa dos Direitos Humanos.


