sábado, 17 de outubro de 2015

Que palestrinha cara!

Lula recebeu R$ 4 milhões da Odebrecht por 10 palestras, diz revista

O ex-presidente Lula recebeu R$ 4 milhões da Odebrecht por dez palestras que deu no exterior, segundo a revista "Época" desta semana.

A empreiteira, que é investigada pela Operação Lava Jato sob suspeita de pagar propina para obter contratos na Petrobras, gastou R$ 3 milhões em despesas de transporte e hospedagem do ex-presidente, de acordo com a revista.

Lula era contratado para fazer as conferências quando a empreiteira enfrentava algum problema em contratos que havia assinado naquele país. Numa viagem à Venezuela em maio de 2011, por exemplo, Lula encontrou-se com Emílio Odebrecht, pai do presidente do grupo, Marcelo, que está preso em Curitiba desde junho, e o presidente Hugo Chávez. Naquele momento, a Odebrecht cobrava uma dívida de US$ 1,2 bilhão do governo venezuelano pela construção de uma linha do metrô em Caracas.

Há casos em que, após a viagem, o BNDES liberou empréstimos para aquele país.
 
Lula e a Oderecht afirmam que os contratos foram todos legais e transparentes.
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Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/10/1695306-lula-recebeu-r-4-milhoes-da-odebrecht-por-10-palestras-diz-revista.shtml#_=_ 
Fotografia: http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/cultura/lula-e-um-moleque-de-rua-segundo-ricardo-noblat/

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Inscrições para o processo seletivo 2016 da Escola Agrícola de Jundiaí terminam na segunda-feira (19)



As inscrições para o exame de seleção dos cursos técnicos integrados e subsequentes da Escola Agrícola de Jundiaí, Unidade Acadêmica de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) terminam na próxima segunda-feira (19). São ofertadas 240 vagas para os cursos Técnicos em Agroindústria, Agropecuária, Aquicultura e Informática.
Para se inscrever, os candidatos devem acessar o site da COMPERVE (www.comperve.ufrn.br), preencher o formulário de inscrição de acordo com as instruções constantes no site, imprimir a Guia de Recolhimento da União (GRU) e efetuar o pagamento da taxa de inscrição até o dia 20 de outubro, no local indicado na GRU. Cada candidato terá direito apenas a uma inscrição.
Os cursos técnicos subsequentes (Agropecuária, Agroindústria e Aquicultura) terão duração de um ano e meio a dois anos, e os cursos técnicos integrados ao Ensino Médio (Agropecuária, Agroindústria, Aquicultura e Informática) terão duração de três anos.
As provas serão aplicadas no dia 15 de novembro. A taxa de inscrição custa R$ 30,00 (trinta reais).
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Fonte: ASCOM-EAJ

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Instituto de Música Waldemar de Almeida divulga período de inscrições para cursos


Quem tiver interesse em fazer algum dos cursos do Instituto de Música Waldemar de Almeida em 2016 pode se inscrever gratuitamente entre os dias 19 e 23 de outubro. A escola fica na Rua Açu, 666, Petrópolis, em Natal, e abre de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.  
 
Ao todo são 74 vagas divididas entre flautas, piano, bandolim, cavaco, violino, violoncelo, violão, trompete e baixo. As aulas são realizadas uma vez por semana, em horário a combinar com cada professor, com duração de 50 minutos.
Os alunos serão selecionados por meio de entrevistas feitas de 26 a 30 de outubro. O resultado sai dia 6 de novembro e as matrículas serão feitas de 23 a 30 de novembro, a uma taxa simbólica de R$ 10, valor igual ao das mensalidades.
O Instituto de Música Waldemar de Almeida, criado em 1986, é ligado ao Governo do Estado do Rio Grande do Norte, por meio da Fundação José Augusto. O Instituto mantém programas de profissionalização de instrumentistas, promove recitais e apresentações, além de contar com grupos musicais e de canto coral.
Serviço | Inscrições para cursos de música
Onde: Instituto de Música Waldemar de almeida (Rua Açu, 666, Petrópolis – Natal)
Quando: de 19 a 12 de outubro
Horário: das 8h às 17h
Informações: 84 3232-5357
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Fonte: AscomRN

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Ex-secretário do PT diz que tinha hábito de guardar dinheiro vivo

O ex-deputado federal André Vargas (ex-PT/PR) negou à Justiça Federal, nesta quarta-feira, 14, que
tenha ocultado propina na compra da casa de quase R$ 1 milhão em que mora em Londrina (PR). Ele afirmou ao juiz Sérgio Moro – que conduz os processos da Operação Lava Jato – que parte dos valores do imóvel foi pago em espécie porque ele tinha costume de guardar dinheiro vivo em seu escritório.
“O senhor tinha esse costume de guardar dinheiro em seu escritório?”, questionou o juiz.
“Quando eu tinha dinheiro, sim”, respondeu Vargas.
O ex-deputado é réu em processo por lavagem de dinheiro na compra do imóvel. Ele já foi condenado em outro processo da Lava Jato, acusado de receber propina em contratos do governo. André Vargas está preso desde 10 de abril, alvo da Operação A Origem, 11.ª etapa da missão que desmantelou esquema de corrupção instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014.
Vargas foi um quadro importante do PT enquanto exercia o mandato de parlamentar – foi secretário de Comunicação do partido e chegou à vice-presidência da Câmara dos Deputados. Foi cassado em 2014. Vargas declarou a compra do imóvel por R$ 500 mil, segundo consta da escritura. Mas o vendedor, em sua declaração de rendimentos, declarou o negócio por R$ 980 mil, “preço integralmente recebido em 2011″.
O imóvel,sequestrado por ordem do juiz Moro, custou efetivamente R$ 980 mil, disse Vargas. A investigação aponta que “parte significativa” do preço foi depositada em dinheiro na conta do vendedor – R$ 225 mil em 13 de maio de 2011, R$ 43,2 mil em 17 de maio de 2011, e R$ 95 mil em 25 de novembro de 2011.
Segundo o Fisco, não há correspondência dos valores de débito nas contas de André Vargas com os pagamentos feitos pelo imóvel, “o que é indicativo de que eles não transitaram em suas contas correntes”.
“A realização de transações vultosas em espécie não é ilícita, mas trata-se de expediente usualmente utilizado para evitar rastreamento de dinheiro sem origem lícita”, escreveu Moro, em decisão anterior sobre a medida cautelar.

“Os depósitos que o senhor fazia, porque não fazia transferência bancária?”, questionou Moro.
“Opção pessoal”, respondeu o ex-deputado.
Segundo Vargas, os valores usados para compra da casa tiveram origem em “suas economias, a venda de um sítio e seus rendimentos como deputado”.
“A origem são economias pessoais, a venda de um sítio e as movimentações financeiras na minha conta, todos do meu salário. Como eu disse para o senhor, eu ganhei R$ 3,5 milhões ao longo desse período todo (de vida pública). Guardava dinheiro em especie para o momento oportuno, fiz a venda do sítio.”
Vargas negou mais de uma vez recebimento de propinas. “Em nenhum momento, nenhum recurso ilícito entrou na conta corrente ou mesmo foi movimentado por mim, em nenhum momento. Todos que me conhecem sabem disso”, afirmou.
Segundo o ex-secretário de Comunicação do PT, a Lava Jato “transforma contatos dentro do limite institucional com empresários em crime”.
“Em nenhum momento eu extrapolei os limites institucionais de minha atuação parlamentar, nem como vereador, nem como deputado estadual, nem como deputado federal. Mas em nenhum momento eu deixei de atender os empresários que pleiteavam coisas justas no nosso País, muito especialmente do Paraná”, afirmou Vargas.
“Poderia listar 10, 15, 20 empresários, dentro do limite institucional. Mesmo que, por vezes, pareça notadamente na Operação Lava Jato que as relações empresariais sejam aparentemente apresentadas como todas criminosas isso não ocorreu da minha parte.”
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Fonte: http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/ex-secretario-do-pt-diz-que-tinha-habito-de-guardar-dinheiro-vivo/

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Liminar suspende lei que veta parada gay em Praça da Bíblia

Os organizadores da 5ª Parada do Orgulho de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBTT) em Ji-Paraná (RO) tiveram que recorrer à Justiça para poder usar o palco da Praça da Bíblia, porque o prefeito estava alegando que uma lei impede que o local seja utilizado para evento não religioso, embora ali em abril tivesse havido o show "Chorinho na Praça".

Com mais de 130 mil habitantes, a cidade é a segunda mais populosa de Rondônia. Fica a 373 km de Porto Velho, a capital. O prefeito do período 2013-2016 é
Jesualdo Pires (PSB), na foto. Ele tem dado todo o apoio, incluindo financeiro, à realização do Dia do Evangélico, comemorado no dia 18 de junho.

O juiz Edson Yukishigue Sassamoto concedeu uma liminar de um salvo conduto aos participantes da parada com o argumento de que a lei de 2008 é inconstitucional.

Sentenciou que todos podem ter acesso à Praça da Bíblia porque é um local público.

O organizador do parada Fabrício Xavier disse que escolheu a praça porque é um espaço adequado para a realização de shows, e não porque os gays e transexuais querem afrontar os religiosos. A parada está se realizando neste domingo.

“É a única cidade que tem palco pronto. A gente não quer nada além do direito de se manifestar e de usufruir de bens públicos que ajudamos a financiar."

A tal lei é um bom exemplo — pois visível a todos — da apropriação de um espaço público por um grupo de religiosos.


Ji-Paraná tem mais de 130 mil habitantes

Com informação das agências e foto de divulgação
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Fonte: www.paulopes.com.br

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

A “Ideologia de gênero” e o delírio conservador no Brasil hoje


Por Alipio de Sousa Filho

O país vive, nos dias atuais, um surto de ignorância conservadora que se pode constatar na produção de cretinices, por conservadores e reacionários, nas formas de ideias, propagandas e campanhas sobre diversos assuntos da vida pública e do âmbito da vida privada.

Nos últimos anos, pessoas com posicionamentos políticos e morais conservadores e reacionários, com a forte contribuição de correntes religiosas católicas e evangélicas, deliram com as seguintes teses: a ala do governo federal constituída pelo PT, o que inclui a presidente da República, tenta realizar o que acreditam ser uma “revolução bolivariana” no país, tenta implantar o “comunismo” e já impôs uma “doutrinação ideológica” nas escolas para a “imposição de valores contrários à propriedade privada, à tradição e à família, desvirtuando a boa educação que a família cristã brasileira oferece aos seus amados filhos”  – qualquer semelhança com a TFP não é mera coincidência. É isso que chamo o delírio conservador no Brasil. Dizer que é um delírio não significa que o tomo por irreal, bem ao contrário, está aí na realidade cotidiana e atuante, suas ideias é que são delirantes, verdadeiras alucinações.

Ora, o que o governo federal, às vezes em sintonia com governos estaduais e municipais, vem buscando construir no país não é “revolução bolivariana”, “comunismo” nem “doutrinação ideológica” sobre o que quer que seja. Não é mais que uma tentativa de implementar, aos troncos e barrancos, políticas públicas do Estado de Bem-Estar social no país, muito atrasadamente na história, com programas e políticas governamentais que em diferentes partes do mundo já vigoram como consensos sociais há várias décadas – e cujos fracassos mais recentes, em alguns países, têm feito neles surgir concepções e atitudes xenófobas, racistas, discriminatórias e que estimulam a segregação social. É também uma tentativa de tornar possível a existência, no Brasil, de um Estado laico, secularista, liberal e democrático, isto é, moderno, que suspenda toda fundamentação de seus atos a partir de pontos de vistas religiosos, valorações culturais e morais e práticas de atividade econômica que representem atentados contra à igualdade de direitos de todas as pessoas e ao reconhecimento social e jurídico de todas elas. Ainda, o que se procura nas políticas governamentais recentes no nosso país nada mais é que uma tentativa de fazer que, no Brasil, a cidadania deixe de ser, como denunciou a filósofa Marilena Chauí, “um privilégio de classe”. Um “ideal de civilidade”, como assim nomearam os filósofos John Rawls e Jurgen Habermas, que, no Ocidente moderno, persegue-se a pelo menos dois séculos, mas que, no Brasil, a ignorância conservadora de muitos faz pensar que se trata de uma “revolução” que começou na Venezuela e que o PT quer arrastar para o país.

Mas, país habituado a figura do “senhor-cidadão”, como também denunciou Chauí, herança da sociedade escravista que nos fundou e permanece como modelo para boa parcela da população, “sociedade de natureza autoritária” (citando ainda M. Chauí), aqui, o Estado de Bem-Estar social, liberal e democrático moderno, por mínimo que ainda seja, é visto por muitos, gente conservadora e reacionária, em sua assombrosa ignorância, como políticas de “privilégios”. Diariamente, é possível ouvir pessoas falando de direitos de trabalhadores como concessões que permitiriam cobranças autoritárias de “comportamento”: como se o direito existisse para alavancar novas subordinações e não para a promoção da cidadania de todos. Que se leia a entrevista da presidente do Sindicato dos Empregadores Domésticos do Estado de São Paulo, que, recentemente, ao falar dos novos direitos dos empregados domésticos, assim se manifesta: “Tenho medo de como caminhará em uns anos, porque hoje ninguém respeita ninguém”. E arremata: “cada pessoa precisa saber o seu lugar”.

Vivemos no país em que o conceito de direitos humanos e políticas de direitos humanos foram transformados em estranho ente sem igual em outras partes. Explica-se assim que se diga: “os direitos humanos somente defendem bandidos” ou os “direitos humanos nunca pensam nas famílias das vítimas”. Nessas expressões, temos um caso em que a predicação do sujeito oracional transforma um conceito abstrato em agente vivo, em substância agente, corporificando algo de sentido conceitual em atores, personagens, instituições, e para seu desprestígio. Frases que são também ecos de um pensamento expresso no dito “bandido bom é bandido morto” – algo saído das cavernas do obscurantismo e da estupidez produzidos no país, mas repetido até por governantes, parlamentares, juízes e por policiais, estes últimos mais que todos.

A alucinação ideológica conservadora e homofóbica cria a “ideologia de gênero”

O delírio conservador produziu também uma alucinação à parte: a bizarra invenção segundo a qual anda em curso no país a difusão de uma “ideologia de gênero”, como dizem!, ainda que conservadores e reacionários de todas as colorações nem mesmo saibam do que estão falando: nem o que é gênero e menos ainda o que é ideologia!

Prova disso pude testemunhar com minha participação recente na Audiência Pública sobre o tema, realizada pela Câmara Municipal de Natal. Nela, estavam pessoas dispostas a falar, sem o menor pudor, tudo o que de mais atrasado e ignorante pode ser dito sobre o assunto: opiniões de senso comum, preconceitos e agressões à dignidade de gays, lésbicas e trans (e também à dignidade de mulheres), acusados de ser responsáveis pela criação da tal “ideologia de gênero”. E tudo pronunciado com ressentimento, uma vez que o delírio faz crer que o Estado, através dos governantes atuais, “abandonou a família brasileira, cristã, que está sendo atacada e ameaçada nas escolas brasileiras, por orientação do MEC, por uma minoria de professores, intelectuais e acadêmicos que querem desvirtuar a educação moral que as famílias dão aos seus filhos”, por pretender impor uma “ditadura gay” no país e impor uma “ideologia” (sic.) contrária às “leis de Deus” e às “leis da Natureza” que “fizeram o homem para a mulher”, “biologicamente definidos nos seus gêneros e sexualidade” e que “a escola não pode pretender alterar”.

Na audiência, ouvi outras tantas tolices e rosários de vitupérios ignorantes, ditos por pessoas que nem mesmo sabem que não sabem. Nem mesmo o advogado que esteve ali como representante da OAB/RN deixou de manifestar seus preconceitos e posicionamentos conservadores, mas igualmente revelando seu desconhecimento quanto aos estudos da antropologia, sociologia, psicologia e história sobre sexualidade e gênero, domínios das ciências humanas com mais de um século de produção sobre o assunto. Aliás, diga-se aqui, seus posicionamentos não expressaram os da OAB, entidade que tem a desembargadora aposentada e advogada Maria Berenice Dias como Presidente da Comissão da Diversidade Sexual do Conselho Federal da OAB nacional, que tem lutado no campo jurídico pela institucionalização dos direitos gays. Com a palavra a OAB/RN para dizer qual seu efetivo posicionamento sobre o assunto, uma vez que não é crível que seja aquele expresso pelo advogado que a representou na audiência pública. Para conferir, é só ver, em filmagem realizada pela TV Câmara, tudo o que ali se disse.

Mas vamos ao principal: “ideologia de gênero” é o que os setores religiosos fundamentalistas e conservadores do país praticam e pretendem preservar. Especificamente para o assunto em destaque, primeiro, na infância; depois, na vida juvenil e adulta, nas famílias, a ideologia do binarismo homem/mulher e das normas de gênero chegam através das ideias heteronormativos, masculinistas, machistas, sexistas e homofóbicos. Em seguida, nas escolas, que, salvo raríssimas exceções, são reprodutoras desses mesmos modelos sociais. As mídias, em geral, prolongam a sua difusão e internalização, e as igrejas, na abordagem do sexo e do prazer, completam o assédio moral e psicológico do discurso ideológico.

Não são professores, nas escolas ou nas universidades, que praticam a “ideologia de gênero”, mas as mídias, as igrejas, as famílias, os discursos moral, religioso e político, ao difundirem ideias que negam o caráter construído de toda realidade e, por isso mesmo, o caráter revogável de todas as instituições sociais existentes, no que se inclui também as noções de gênero sexual, identidade de gênero, sexo, sexualidade. Tentando fazer crer a todos que a realidade dos gêneros e a realidade do desejo e das práticas sexuais são de natureza natural, como diria o sociólogo Pierre Bourdieu, o discurso ideológico e seus cães de guarda procuram negar que o ser humano é, de alto a baixo, uma construção cultural, social e histórica, tanto quanto ele é capaz de realizar modificações, transformações, não tendo nada que o obrigue a permanecer o mesmo, ainda toda a força da socialização, pois, diferentemente dos animais, somos uma espécie sem direção e especialização biológicas fixas e prévias, o que nos permite construir e reconstruir a nós mesmos.

É assim que, em sexo e em construções do gênero, podemos ser tão variáveis e realizar opções que nada têm a ver com conformações anatômicas, morfológicas e fisiológicas, tidas erradamente por, em si mesmas, definidoras de desejos e práticas, ideologicamente representados como “naturais”. Quando são da ordem de escolhas libidinais que se tornam a “causa” da “política do desejo” de cada um, tornando-se a potência que engaja cada um na construção de sua autonomia erótica e identificações de gênero. Conservadores, reacionários e fundamentalistas religiosos morrerão com seus  delírios mas não virão  jamais fenecer a “causa” do desejo e o que ela é capaz de criar, subverter, transformar, ainda que permaneçam todas as suas vãs tentativas de governar os indivíduos.
As pesquisas conduzidas por todos nós que nos ocupamos com os estudos de gênero e sexualidade apoiam-se nas regras da produção do conhecimento científico e em dados empíricos, dados da vida social, dados da vida. Como nos ensinou Nietzsche: “a vida veio antes da moral” e, portanto, não seremos negadores da vida e suas expressões, subordinando-a a questionáveis morais e a refutáveis crenças sem fundamento. Sabotar o conhecimento produzido pelas ciências humanas sobre gênero e sexualidade, impedir que ele chegue às escolas e negá-lo às crianças e jovens são atos de sabotagem de vidas, da vida. De vidas de muitos adolescentes e jovens que experimentam, cotidianamente, a violência da humilhação, da discriminação, do bullying, sem muitas vezes não terem a quem recorrer. Uma realidade que se prolonga nos assassinatos de mulheres, nas agressões homofóbicas, nas discriminação e violência contra transexuais.

O assédio moral e ideológico que as escolas, os professores e os planos de educação vêm sofrendo no país merecem considerações de procuradores e promotores federais, estaduais e municipais, pois bem podem ser tratados como ingerências indevidas e ameaçadoras à promoção da educação e do progresso cultural da sociedade brasileira, de suas crianças e seus jovens.
 
Professores, pesquisadores e intelectuais de todo o país, uni-vos! É tempo de rebelião! Às barricas, com canetas e livros nas mãos! Conservadores, reacionários e fundamentalistas religiosos não passarão!

Alipio de Sousa Filho (Cientista social, professor da UFRN)
Blog desenvolvido por Haendel Dantas | Blog O Mipibuense 2009