quinta-feira, 10 de julho de 2014

Direção do sindicato dos professores de São José de Mipibu já está ciente da decretação do fim da greve

C E R T I D Ã O

Processo n°: 0100902-39.2014.8.20.0130

CERTIFICO que, em cumprimento ao mandado extraído dos autos do processo epigrafado, na presente data, às 13:00 h, e após as formalidades legais, CITEI E INTIMEI o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Publica do RN - Núcleo Sindicial de São José de Mipibu/RN, na pessoa de Francialdo Cássio da Rocha, do inteiro teor deste e das peças processuais que o acompanham, o qual aceitou a contrafé que lhe foi oferecida, exarando a sua assinatura.

O referido é verdade e dou fé.

São José de Mipibu/RN, 10 de julho de 2014
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Fonte: TJRN

JUSTIÇA DETERMINA O FIM DA GREVE DOS PROFESSORES DE SÃO JOSÉ DE MIPIBU (veja a íntegra da decisão judicial)

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
JUÍZO DE DIREITO DA Vara Única DA COMARCA DE São José do Mipibu
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Autos n.º 0100902-39.2014.8.20.0130
Classe Procedimento Ordinário/PROC
Requerente Município de São José de MIpibu
Requerido Sindicato dos Trabalhadores em Educação Publica do RN - Núcleo Sindicial de São
José de Mipibu/RN

Decisão
Vistos etc.
Trata-se de Ação Declaratória de ilegalidade de greve deflagrada pelo Professores do Município de São José de Mipibu, representados pelo Sinte/RN, com pedido de liminar inaudita altera pars, para determinar a suspensão do movimento paradista, sob pena de multa.

Alega a autora, em síntese, que foi notifica em 02/07/2014, através do ofício n.017/2014-Sinte/NSJM. De que os professores da rede pública municipal deflagrariam greve na data 07/07/2014, em razão do suposto descumprimento pelo Município, da legislação vigente quanto a jornada de trabalho dos referidos profissionais, no tocante a terem direito a exercerem suas atividades laborais na proporção de 2/3, em sala de aula e 1/3 fora da sala de aula, para realizar o planejamento das aulas.

Com a inicial vieram os documentos de fls. 08/09.
Foi requerida liminar inaudita altera parte para obstar a greve deflagrada, sob pena de multa no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais).
É o necessário relatório. Fundamento. Decido.
O art. 273 do Código de Processo Civil prevê a possibilidade do juiz antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida na inicial, desde que haja prova inequívoca do fato alegado e o magistrado se convença da verossimilhança da alegação.
Os incisos I e II daquele artigo disciplinam duas hipóteses em que será possível o deferimento da antecipação dos efeitos da tutela, quais sejam:
"I – haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação; ou
II – fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou o manifesto propósito
protelatório do réu."
Discorrendo sobre o significado de “probabilidade” e “verossimilhança”, assim se
pronunciou DINAMARCO1
“Probabilidade é a situação decorrente da preponderância dos motivos
convergentes à aceitação de determinada preposiçlão, sobre os motivos
divergentes. As afirmativas pesando mais sobre o espírito da pessoa, o fato é
provável; pesando mais as negativas, ele é improvável (Malatesta). A
probabilidade, assim conceituada, é menos que certeza, porque lá os motivos
divergentes não ficam afastados mas somente suplantados; e é mais que a
credibilidade ou verossimilhança, pela qual na mente do observador os
motivos convergentes e os divergentes comparecem em situação de
equivalência, e se o espírito não se anima a afirmar, também ousa a negar.”
A parte da ementa a seguir transcrita, do Colendo Superior Tribunal de Justiça, estabelece
com perfeição a diferença entre a cognição a ser feita nas cautelares e a necessária ao deferimento de
antecipação dos efeitos da tutela:
“AÇÃO POPULAR. CONTRATO DE PERMUTA DE ATIVOS. PETRÓLEO
BRASILEIRO S/A (PETROBRÁS). E REPSOL YPF S/A. POSSÍVEL
LESIVIDADE DO NEGÓCIO. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. PROVA
INEQUÍVOCA. VEROSSIMILHANÇA DA ALEGAÇÃO. PRESSUPOSTOS
NÃO CARACTERIZADOS.
1. Em sede de antecipação de tutela, hão de estar devidamente configurados,
para o deferimento da medida, os pressupostos exigidos no art. 273 do
Código de Processo Civil, em particular, aqueles atinentes à prova
inequívoca e à verossimilhança da alegação, que não se confundem com a
plausibilidade da ação cautelar.
2. O juízo estabelecido em prova inequívoca há de estar calcado no firme
convencimento do julgador quanto à concretude do direito vindicado pela
parte, não bastando, portanto, mera aparência ou "fumaça".
3. Viola o art. 273 do CPC a decisão que defere pedido de antecipação de
tutela apenas com fundamento na demonstração do "fumus boni iuris" e do
"periculum in mora".
(...)” (STJ, 2. Turma. RESP 532570 / RS ; RECURSO ESPECIAL
2003/0059368-5. Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA. Dt.
Julgamento: 21/10/2004. DJ 13.12.2004 p. 292.) (Grifos acrescidos).
Assim, a verossimilhança exigida tem um grau de certeza maior que o mero fumus boni iuris das ações cautelares.
A requerente sustenta a verossimilhança de suas alegações no próprio ofício expedido pelo sindicato dos professores, que atesta que os professores cumprem jornada de trabalho em sala de aula de 20 horas semanais.
Reforça sua tese ressaltando que este Juízo já se manifestou sobre essa questão nos autos dos mandados de seguranças n. 0100548-14.2014.8.20.0130 e 0100547-29.2014.8.20.0130, os quais tratam da mesma matéria e que este Juízo prolatou sentença reconhecendo que a Edilidade tem atendido a legislação vigente.
Os professores do Município de São José de Mipibu são servidores públicos concursados com jornada de trabalho de 30 horas semanais.
Através do ofício 017/2014-SINTE/NSJM, o sindicato reconhece que os professores trabalham 20 horas em sala de aula, o que corresponde a 25 horas/aula, sustentando que o que eles devem cumprir são 20 horas/aula.
A Lei n. 11.738, de 16 de julho de 2008, em seu art. 2º, § 4º, assim dispõe:
"Art. 2o Omissis.
(...)
§ 4o Na composição da jornada de trabalho, observar-se-á o limite máximo
de 2/3 (dois terços) da carga horária para o desempenho das atividades de
interação com os educandos."

Por sua vez, a lei Complementar n. 08, de 25/03/2010, em seu art. 20, dispõe:
"Art. 20. A carga horária do profissional do magistério da educação básica
pública será de 30 (trinta) horas semanais, onde sua jornada de trabalho será
cumprida em unidades escolares, no exercício da docência e/ou de suporte
pedagógico, como também nos órgãos do sistema municipal de ensino, nas
funções de apoio ao ensino, sendo que 1/3 (um terço) da carga horária deverá
ser reservado para estudos, planejamentos, articulações com a comunidade e
outros encargos curriculares, de acordo com a proposta pedagógica do
estabelecimento de ensino e diretrizes educacionais da Secretaria Municipal
de Educação."
Vê-se, pois, pela legislação acima transcrita, que 1/3 (um terço) do total de 30 (trinta) horas da jornada de trabalho para a qual são contratados os profissionais da rede pública municipal de ensino, ou seja 10 (dez) horas, devem ser reservadas para o planejamento de aula, o que, nos termos do que foi informado pelo próprio ofício da entidade classista, tem sido integralmente atendido pelo Município.
A diferença entre as 20 horas e as 25 horas aulas que são dadas é decorrência do fato de a hora-aula(50 min.) ser menor do que a hora normal (60 min.).
Pelos argumentos acima transcritos, resta evidenciada nos autos a verossimilhança das alegações autoriais.
No que tange à existência, ou não, do periculum in mora, este resta patente nos autos, na medida em que mediante a greve os alunos ficarão prejudicados, fato este que já vem ocorrendo, em razão da diminuição da carga-horária praticada pelos professores a revelia da Secretaria Municipal de Educação e de forma desmotivada.
Ressalto que, como alegado pela Edilidade, o ano letivo já foi bastante expremido, em razão de intercorrências como o início tardio do ano letivo, copa do mundo, eleições, dentre outros, de forma que, a interrupção das aulas nesse momento pode vir inclusive a perda do ano letivo.
Esse prejuízo não pode ser suportado pela população mipibuense usuária da educação pública municipal.
Diante de todo o exposto, e por tudo mais que dos autos consta, DEFIRO o pedido de antecipação dos efeitos da tutela pretendida, para determinar aos professores da rede pública municipal de ensino, através do Sindicato dos trabalhadores em Educação Pública do RN – SINTE/NSJM, que se abstenham de fazer greve, ou caso já tenham dado início ao movimento paredista que retomem suas atividades profissionais no prazo de 24 horas, sob pena de multa diária no valor de R$ 5.000,00, em caso de descumprimento, a ser arcada pela entidade classista, sem prejuízo de demais cominações que
possam vir a ser determinadas.
Cite-se o réu para, querendo, contestar no prazo legal, sob pena de revelia.
Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

São José de Mipibu-RN, 08 de julho de 2014.

Miriam Jácome de Carvalho Simões
Juíza de Direito

Parabéns!


O Mipibuense felicita o amigo Moisés Galvão, pelo passagem do seu aniversário.

Perder, Ganhar, Viver

Vi gente chorando na rua, quando o juiz apitou o final do jogo perdido; vi homens e mulheres pisando com ódio os plásticos verde-amarelos que até minutos antes eram sagrados; vi bêbados inconsoláveis que já não sabiam por que não achavam consolo na bebida; vi rapazes e moças festejando a derrota para não deixarem de festejar qualquer coisa, pois seus corações estavam programados para a alegria; vi o técnico incansável e teimoso da Seleção xingado de bandido e queimado vivo sob a aparência de um boneco, enquanto o jogador que errara muitas vezes ao chutar em gol era declarado o último dos traidores da pátria; vi a notícia do suicida do Ceará e dos mortos do coração por motivo do fracasso esportivo; vi a dor dissolvida em uísque escocês da classe média alta e o surdo clamor de desespero dos pequeninos, pela mesma causa; vi o garotão mudar o gênero das palavras, acusando a mina de pé-fria; vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições; vi a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmuIas e símbolos diversos do esperado e exigido título de campeões do mundo pela quarta vez, e já agora destinados à ironia do lixo; vi a tristeza dos varredores da limpeza pública e dos faxineiros de edifícios, removendo os destroços da esperança; vi tanta coisa, senti tanta coisa nas almas…

Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo.
Certamente, fizemos tudo para ganhar esta caprichosa Copa do Mundo. Mas será suficiente fazer tudo, e exigir da sorte um resultado infalível? Não é mais sensato atribuir ao acaso, ao imponderável, até mesmo ao absurdo, um poder de transformação das coisas, capaz de anular os cálculos mais científicos? Se a Seleção fosse à Espanha, terra de castelos míticos, apenas para pegar o caneco e trazê-lo na mala, como propriedade exclusiva e inalienável do Brasil, que mérito haveria nisso? Na realidade, nós fomos lá pelo gosto do incerto, do difícil, da fantasia e do risco, e não para recolher um objeto roubado. A verdade é que não voltamos de mãos vazias porque não trouxemos a taça. Trouxemos alguma coisa boa e palpável, conquista do espírito de competição. Suplantamos quatro seleções igualmente ambiciosas e perdemos para a quinta. A Itália não tinha obrigação de perder para o nosso gênio futebolístico. Em peleja de igual para igual, a sorte não nos contemplou. Paciência, não vamos transformar em desastre nacional o que foi apenas uma experiência, como tantas outras, da volubilidade das coisas.
Perdendo, após o emocionalismo das lágrimas, readquirimos ou adquirimos, na maioria das cabeças, o senso da moderação, do real contraditório, mas rico de possibilidades, a verdadeira dimensão da vida. Não somos invencíveis. Também não somos uns pobres diabos que jamais atingirão a grandeza, este valor tão relativo, com tendência a evaporar-se. Eu gostaria de passar a mão na cabeça de Telê Santana e de seus jogadores, reservas e reservas de reservas, como Roberto Dinamite, o viajante não utilizado, e dizer-lhes, com esse gesto, o que em palavras seria enfático e meio bobo. Mas o gesto vale por tudo, e bem o compreendemos em sua doçura solidária. Ora, o Telê! Ora, os atletas! Ora, a sorte! A Copa do Mundo de 82 acabou para nós, mas o mundo não acabou. Nem o Brasil, com suas dores e bens. E há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos.
E agora, amigos torcedores, que tal a gente começar a trabalhar, que o ano já está na segunda metade?
07 de julho de 1982.
Carlos Drumond de Andrade
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Fonte: Crônica originalmente publicada no Jornal do Brasil

A IGREJA E OS GAYS

Por Frei Betto

        Desde o início do século XX, com o advento das teorias de Freud, tenta-se quebrar o tabu que impede a Igreja Católica de debater a sexualidade. No Concílio Vaticano II, vários bispos propuseram o tema. Os cardeais conservadores se opuseram.
       Mesmo bispos admitem que são anacrônicas as posições oficiais da Igreja quanto a certas questões, como a proibição do uso de preservativos e de relações sexuais que não tenham por finalidade a procriação etc.
       Frente à disseminação da aids, o cardeal emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, defendeu o uso de preservativos em entrevista à Folha de S. Paulo, a 16/04/95. E meu professor de teologia moral dizia que o casal só ter relações para procriar “não é teológico, é zoológico”. Hoje, sabemos que mesmo entre animais há sexualidade como expressão do afeto, bem como relações entre espécies do mesmo sexo. A homossexualidade não é, portanto, um “desvio” da natureza.
       Em maio de 2011, publiquei em O GLOBO o artigo “Os gays e a Bíblia”, para demonstrar que os evangelhos não são homofóbicos. Entre aprovações, fui alvo de ataques ofensivos. Um movimento católico ultramontano chegou a promover um abaixo-assinado pedindo a minha expulsão da Igreja.
       Agora, a 26/06, o Vaticano divulgou o “Instrumentum laboris” (Instrumento de trabalho), documento preparatório ao Sínodo da Família, em outubro próximo, em Roma, no qual flexibiliza a posição oficial católica em relação à homossexualidade. E sinaliza que a Igreja deve buscar equilíbrio entre seus ensinamentos tradicionais sobre a família “e uma atitude respeitosa, sem juízos de valor, em relação às pessoas que vivem em tais uniões” (recasados e casais gays).
       O documento resulta de uma iniciativa democrática introduzida pelo papa Francisco em uma instituição estruturalmente autoritária: em 2013, Roma encaminhou a todas as dioceses do mundo questionário com 39 perguntas, a ser respondido por leigos católicos, e não apenas por bispos e padres. O Vaticano queria saber o que pensam os fiéis a respeito da família e dos temas a ela concernentes (divórcio, recasamento, uso de preservativo, relações de gênero, homossexualidade etc).
       “A Igreja deve julgar menos e ser mais acolhedora com os fiéis que vivem em situações contrárias à sua doutrina, sejam os casais homossexuais ou os divorciados que voltam a casar”, prega o documento divulgado.
       O “julgar menos” é um golpe no farisaísmo que durante séculos predominou na Igreja Católica. Quantos divorciados e recasados se julgam impedidos de acesso aos sacramentos, sob o peso de uma culpa que não é deles!
       Ano passado, o papa advertiu que a Igreja deve ser mais tolerante com casais que contraem segundas núpcias. Afirmou que a Igreja deve agir como mãe que acolhe com zelo seus filhos, e não excluí-los.
       O questionário demonstra que a maioria dos católicos não se sente confortável ao ver que fiéis separados, divorciados ou pais e mães solteiros não são bem-vindos em algumas paróquias.
       “Se uma pessoa procura Deus de boa vontade e é gay, quem sou eu para julgá-la?”, disse Francisco, no voo que o levou de volta a Roma, após a Jornada Mundial da Juventude, no Rio.
       Se no passado o Vaticano considerou a homossexualidade “intrinsecamente desordenada”, agora considera que “os atos homossexuais são pecaminosos, mas não as tendências homossexuais.”
       Os filhos de casais gays devem ser acolhidos ao batismo e demais sacramentos com a mesma dignidade com que são admitidos os filhos de casais heterossexuais.
       O cristianismo não é um catálogo de proibições, no qual predominariam culpas, medos e condenações. É uma Boa Nova.
       A quem se interessa em aprofundar o tema da homossexualidade e doutrina católica recomendo os livros de J. Alison, “Uma fé além do ressentimento” (São Paulo, É Realizações, 2010), com prefácio de J.B. Libanio; e de John Boswell, The marriage of likeness: Same-sex unions in pre-modern Europe - As bodas da semelhança:  uniões do mesmo sexo na Europa pré-moderna (New York: Villard, 1994) (Nova York, Villard Books, 1994).

 Frei Betto é escritor, autor de “O que a vida me ensinou” (Saraiva), entre outros livros.

JUSTIÇA DETERMINA O FIM DA GREVE DOS PROFESSORES DE SÃO JOSÉ DE MIPIBU-RN

A greve dos professores de São José de Mipibu quase nem teve início e a Justiça já determinou o seu fim.

Em decisão proferida nesta quarta-feira, 08, a Juíza de São José de Mipibu decidiu pela ilegalidade da greve dos professores da rede municipal de ensino e determinou o seu fim, impondo multa diária de R$ 5.000,00 ao sindicato da categoria, caso não seja cumprida a decisão.

Os professores devem retornar às suas atividades no prazo de 24 horas, segundo a determinação judicial.
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domingo, 6 de julho de 2014

CASA PARA ALUGAR (São José de Mipibu)
















Aluga-se casa no Conjunto Bela Vista, Centro, São José de Mipibu, RN, próxima da Delegacia de Polícia.

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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Paulo Freire

"Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade."

Os 20 anos do Estatuto da Advocacia, a profissão da liberdade

Por Marcus Vinícus Furtado Coêlho*
Na celebração dos 20 anos de sua sanção, o Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil permanece em profunda sintonia com a elevada missão que à advocacia foi honrosamente confiada pela Constituição Federal de 1988: assegurar a cidadania e efetivar os comandos constitucionais.
Antes do seu advento, a conduta profissional dos advogados e a estrutura funcional da OAB eram disciplinadas pela Lei 4.215, de 27 de abril de 1963. Embora conferisse um perfil mais autônomo e independente à instituição, antecipando seus deveres de defender a ordem jurídica e a Constituição da República, o Estatuto de 1963 restringia toda e qualquer manifestação da Ordem que não versasse imediatamente sobre os interesses dos advogados. Não era explicitamente permitido à entidade pronunciar-se sobre assuntos de dimensão política.
No processo de abertura política não só do Brasil, mas também da sua Ordem dos Advogados, as conferências nacionais dos advogados, com destaque à XII Conferência, realizada no ano de 1988 em Porto Alegre, representaram um espaço autônomo de reflexão sobre as questões referentes ao exercício da advocacia e às perspectivas do Direito brasileiro, bem como sobre a relação entre o advogado e a realidade sociopolítica em que deveria intervir.
Na esteira da promulgação da Constituição da República e da discussão acumulada desde a V Conferência Nacional, de 1974, a referida Conferência de Porto Alegre voltou-se às questões próprias da advocacia, buscando reformular os objetivos da Ordem e redefinir o perfil do advogado. Os advogados deixaram clara a urgência em abrir amplas e novas perspectivas para o exercício da autêntica cidadania, assegurada a todos pela nova ordem constitucional. Tratava-se de colocar em prática a expressão de San Tiago Dantas: “levar o Direito ao tecido das relações sociais”.
Nesse momento de abertura, em que foi resguardado pelo texto constitucional um vasto conjunto de liberdades e garantias fundamentais e assegurada a imprescindibilidade do advogado à realização da Justiça, pautou-se a Ordem na função do advogado diante do processo de transformação social experimentado pela sociedade brasileira. Assim, a reforma do Estatuto colocou-se como medida prioritária à adequação da atuação da advocacia aos objetivos da nova democracia, à realidade do país.
Foram quatro as orientações então construídas: o reposicionamento estatutário da Ordem dos Advogados do Brasil no contexto político-institucional, em contraponto ao Estatuto de 1963; a clareza estatutária com relação à defesa dos direitos humanos; a advocacia como função essencial e indispensável à administração da Justiça; maior destaque na defesa dos direitos dos advogados.
A influência de cada uma dessas vertentes fez-se sentir no novo Estatuto que, completando agora duas décadas, representa texto de referência e afirmação do Estado Democrático de Direito. A leitura dos seus dispositivos evidencia uma profissão vocacionada aos grandes debates nacionais, pois o grau de civilidade de uma sociedade há de ser medido pela atenção por ela dispensada ao devido processo legal, à dignidade da pessoa humana e à ampla defesa. Nosso Estatuto indica o caminho da ética profissional e promove a contínua integração de uma advocacia comprometida com a paz social.
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Marcus Vinícus Furtado Coêlho é presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil
Fonte: www.oab.org.br

terça-feira, 1 de julho de 2014

Empresa de ônibus deve indenizar família de mecânico morto por atropelamento

A esposa e os herdeiros de um mecânico, que faleceu após ser atropelado em 2005 por um
dos transportes da empresa de ônibus Trampolim da Vitória, firmaram o acordo com a concessionária e receberão o valor de R$ 50 mil a título de danos morais e o pagamento de uma pensão a ser depositada a partir do próximo dia 10 de julho de 2014. A transação foi firmada em uma sessão de conciliação, no Tribunal de Justiça do RN, quando a esposa da vítima e os cinco filhos concordaram com a proposta oferecida pela empresa.
O acidente ocorreu na avenida Prudente de Morais, em Natal, sendo presenciado por um vigilante que se encontrava na sacada de um imóvel nas proximidades, o qual imediatamente após a ocorrência teria pedido auxílio de outras pessoas para socorrer a vítima, que veio a falecer em poucos minutos.
O fato chegou a gerar, em 18 de junho daquele ano, uma passeata de ciclistas para homenagear a vítima e protestar contra a violência no trânsito, a qual teve cobertura da imprensa local.
A família relatou que a vítima convivia com sua esposa e seus cinco filhos, provendo o sustento de todos com a renda obtida como mecânico de bicicletas nacionais e importadas, com o valor mensal em torno de R$ 1.365.
A Sulina Seguradora S.A, também foi condenada ao pagamento da indenização referente ao seguro de responsabilidade civil (Apólice Seguro nº 2000.23.000005227) firmado com a empresa de ônibus, cuja obrigação deverá ser paga diretamente aos autores, nos termos do artigo 788 do Código Civil, de modo que a Trampolim da Vitória somente deverá arcar com o pagamento do valor que exceder ao teto da apólice.
(Apelação Cível 2013017019-4)
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Fonte: TJRN

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Novela "EM FAMÍLIA" vai mostrar o primeiro beijo entre lésbicas da Rede Globo, nesta segunda-feira

Pela primeira vez, Globo divulga beijo gay da novela


Houve um tempo em que a Globo fazia suspense em torno do possível beijo gay que sempre poderia acontecer no final da novela, mas que, efetivamente, só veio a se concretizar na última trama das 9, “Amor à Vida”. Na ocasião, Félix (Mateus Solano) e seu carneirinho (Thiago Fragoso) se beijaram no último capítulo e todos os sites, jornais e revistas se encarregaram de reproduzir a cena da própria tela.


Agora, quando o casal é feminino e o romance, entre duas bonitonas (sejamos honestos, retrato de um fetiche masculino), a Globo se antecipa à exibição da cena, não só anunciando o beijo entre as duas, mas também publicando foto em seu site de imprensa. O resultado aí está.

Marina (Tainá Müller) pede Clara (Giovanna Antonelli) em casamento no capítulo de “Em Família” desta segunda-feira. E as duas selam o compromisso com anel e beijo.


 Na melhor das hipóteses, a ação logo estará bombando nos sites de todo o País e pode até alavancar alguns pontinhos para a novela no Ibope desta reta final. Quem sabe?
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Fonte: Estadão

MODA PIRIGUETE: libertadora da mulher ou imposição do machismo?

Por Dr. Luiz Mott

Foram as travestis de pista que inventaram essa moda de mini-saia, shortinhos curtíssimos, barriga de fora e peitos à mostra, visando, obviamente, dar visibilidade a seus corpos-mercadoria.

As trans inventaram moda, as prostitutas imitaram e a moda piriguete foi adotada por mulheres, mocinhas e meninas de todas as classes sociais.

Cidadania não tem roupa certa e cada um/a se veste como quiser, da burka ao toplesss. E ninguém merece nem pode ser assediada sexualmente devido a sua pouca roupa.

Porém, a mulher que usa roupas curtíssimas, justíssimas, decotadíssimas ou transparentes, obviamente que está querendo chamar atenção para suas partes íntimas.

Tal exposição contribui para a cidadania plena das mulheres?

Essa hiper sexualização corporal das periguetes e vadias, não reforça a coisificação das mulheres, que se expõem como objetos sexuais cada vez mais explícitos?

INSISTO: Cidadania não tem roupa certa e cada um/a se veste como quiser, da burka ao toplesss. E ninguém merece nem pode ser assediada sexualmente devido a sua pouca roupa.


Porém fica a dúvida se tanta exibição é uma conquista positiva para a libertação feminina ou imposição do machismo reforçando o estereótipo da mulher objeto sexual.
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* Dr. Luiz Mott é antropólogo e professor aposentado da UFBA.

Sem a cadência do samba não posso ficar!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

100 dias para mudar o mundo

Cara comunidade,




O frágil equilíbrio da biosfera do planeta está em um ponto crítico e toda vida na Terra está ameaçada. Cientistas dizem que agora é o momento do "ou vai ou racha" para as mudanças climáticas e, daqui a 100 dias, os líderes mundiais se reunirão na ONU. É o tempo que temos para organizar o maior dia de ação contra as mudanças climáticas da história em várias partes do mundo. Precisamos exigir ações e lutar por aqueles que amamos. Junte-se ao movimento

Vou participar!

A última era do gelo tomou conta do planeta em 6 meses. Apenas 6 meses foram suficientes para a paisagem da Europa e dos EUA ser transformada em um deserto de blocos de gelo do tamanho de prédios inteiros. Foi um ponto crítico para o clima, quando o equilíbrio do planeta saiu completamente do controle, ameaçando a sobrevivência de todos os seres vivos – e três outros momentos críticos exatamente como esse estão prestes a acontecer. 

Chegamos no momento do "ou vai ou racha" em relação ao clima segundo um cientista da NASA, mas uma resposta à altura e um dia de ação global pode mudar o futuro que nos espera. 

Um acordo contendo medidas óbvias para acabar com o uso de energias não-renováveis pode nos salvar. Foi por isso que a ONU convocou uma reunião urgente sobre o clima com todas as grandes lideranças mundiais para daqui a menos de 100 dias. Se, no dia 21 de setembro, fizermos a maior mobilização global de todos os tempos pelo clima poderemos acabar com a influência das mega-empresas de carvão e petróleo que impede até os melhores políticos de fazer a coisa certa. 

Não há como disfarçar que esta é uma tarefa enorme. Mas, se nos unirmos, cada pequena ação se somará ao movimento de milhões, enfraquecendo a oposicão e convencendo nossos líderes a se libertar do lobby e construir um futuro com esperança, limpo e verde. Clique abaixo para participar: 


Momentos críticos como este que vivemos acontecem em ciclos; as mudanças climáticas se alimentam de si mesmas e rapidamente resultam em consequências aceleradas e catastróficas. Agora mesmo, gás metano, 25 vezes pior para o aquecimento global que o dióxido de carbono, está preso sob o gelo. Mas, à medida que o gelo derrete, o gás é liberado para a atmosfera, causando ainda mais derretimentos, o que nos priva de mais uma camada de gelo que funciona como um escudo, refletindo os raios do sol e mantendo as temperaturas no planeta mais baixas. Mais metano e menos gelo significa ainda mais aquecimento global, e tudo começa a fugir do controle. E esse é só um exemplo… É por esse motivo que os cientistas estão gritando a plenos pulmões que precisamos agir imediatamente. 

Na verdade, já temos as ferramentas e o planejamento necessários para garantir que não passemos a viver em um mundo em que momentos críticos nos destruam. E, ao mesmo tempo em que será necessária cooperação global em uma escala muito maior que antes, nosso movimento de mais de 36 milhões de pessoas já tem o precisa para forçar os líderes de cada país a dar os primeiros passos. Nesta semana mesmo, os governos dos EUA e a China anunciaram políticas-recorde para deter o avanço da poluição em seus países — já estamos criando o momento para fazer com que a conferência do clima de Paris em 2015 seja um sucesso, e, em apenas 100 dias, podemos levar isso a um nível superior. 

Tomar as ruas em grande número, demonstrando nosso poder e coordenação, é uma das formas mais eficientes de gerar mudanças -- desde o movimento anti-Apartheid na África do Sul até o movimento em defesa dos direitos civis nos EUA, às vezes esta tem sido a única maneira. É a chance de levarmos nossa força para a questão mais importante desta era: a sobrevivência e um futuro próspero para as nossas famílias por muitas gerações. Clique abaixo para fazer parte


Sabemos que podemos fazer isso… E em grande estilo. Quando a nossa comunidade consistia em apenas três milhões de pessoas, organizamos três mil ações no mesmo dia para salvar o nosso planeta. Já somos 36 milhões, dez vezes mais que antes! Imagine o que podemos conquistar juntos agora... 

Com muita esperança pelo nosso futuro, 

Equipe da Avaaz

quarta-feira, 25 de junho de 2014

CÃES PARA ADOÇÃO NO RIO GRANDE DO NORTE

Olá pessoal!

Informo que estou atualmente com 5 animais para adoção. Por favor divulguem! São todos animais retirados das ruas que aguardam umaadoção responsável.

Seguem fotos em anexo e abaixo resumo das características de cada animal. Quem puder auxiliar apenas com os "lares temporários" já ajuda muito, pois diminuímos as contas em clínicas veterinárias, já que não temos abrigos.

Bia: resgatada com a mãe e 5 filhotes. Todos os irmãos já foram adotados. Animal saudável. Estima-se que será de pequeno porte.


Flor: resgatada na estrada, Cruzeta/RN. Tratamentos concluídos e pronta para adoção. Cerca de 1 ano. Muito dócil. Pequeno porte.


Sofia: resgatada com sarna, porém, esse tipo de sarna não passa nem pra humano nem mesmo para outro animal. Já está quase curada e sua adoção já está autorizada.  Muito dócil e ativa. Pequeno porte, beirando médio.


Guga: foi colocado pra fora de um carro por uma mulher nas ruas de Cidade Satélite. Seu companheiro foi adotado. Mestiço de poodle, médio porte. Cerca de 2/3 anos. Dócil, porém, por se tratar de um cão adulto, necessita de um período de adaptação para acostumar-se com o novo ambiente.


Maria: vagando pelas ruas de Parnamirim. Desidratada, cheia de nós, anêmica, entre outros. É uma poodle dócil, pequeno porte e cerca de 6 anos. Ela ainda está em tratamento, porém, pode ter continuidade em um novo lar, sem problema nenhum.


Cada animal que é adotado, abre um novo espaço para que outros também tenham essa chance.

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Ilane Virgílio
Instagram: @ilanevirgilio

"Aquele que não se penaliza com os sofrimentos dos animais não pode ter sincera compaixão humana, porque a dor é universal e idêntica."

terça-feira, 24 de junho de 2014

O Brasil por trás da copa

ESTADO IMPORTA PROSTITUTAS DURANTE A COPA DO MUNDO

Mulheres chegam a cobrar R$ 2 mil por hora de trabalho na capital paulista

No entra e sai da porta giratória de um grande hotel de luxo na zona sul de São Paulo, às 23h de sábado (14), quase tudo era furtivo. Quase.

Uma morena alta, de olhos azuis, pernas compridas e lábios carnudos saiu apressada de um Honda Civic de vidros escuros. Ignorando o protocolo da recepção, encostou no extenso balcão de madeira do café, trocou meia dúzia de palavras em inglês com um elegante quarentão e foi com ele rumo ao elevador.

Cinquenta e sete minutos depois, ela estava de volta ao lobby, tão impecável e perfumada quanto antes. Esse é o tipo de garota com quem é fácil cruzar em shoppings como JK Iguatemi ou Cidade Jardim. Naquela noite, usava no pescoço um lenço verde vintage Hermès –um adorno para quebrar o preto do vestidinho básico DVF (Diane von Furstenberg). Nos pés, sapatos pretos com fundo vermelho de Christian Louboutin.

Por questões "éticas", preferiu manter a discrição e levar a conversa para longe dali, onde muitos dirigentes da Fifa estavam hospedados.

"Até então, achava a Fórmula 1 imbatível, mas a Copa está uma loucura", disse Nashila (pessoa jurídica), 23. Ela é uma das garotas que engrossam o grupo de mão de obra "importada" para trabalhar em agências de acompanhantes e "night clubs" em tempos de grande demanda. Cerca de 600 mil estrangeiros estão no país por causa da Copa. Ao menos 63.362 passaram por São Paulo, segundo o Ministério do Turismo.

Gaúcha de Caxias do Sul, Nashila conta que ganhava, no máximo, R$ 400 por programa em eventos como a Expointer, feira agrícola de Esteio (RS)."É minha terceira vez em São Paulo. Fui à Agrishow, em Ribeirão Preto, neste ano e à Fórmula 1 no ano passado, mas nada se compara ao Mundial. Nunca vi tanto gringo no Brasil."

Sobre o cachê, Nashila diz que o preço pelos encontros em hotéis luxuosos é fixo: US$ 900 (cerca de R$ 2.000). "Beleza conta, mas fui selecionada pela agência também por causa do meu currículo." Ela é fluente em inglês. "No final da adolescência, morei um ano em Seattle, fazendo intercâmbio. E, por viver em Porto Alegre, arranho bem o espanhol", diz. "Percebe por que as chances de baixar o cachê são nulas?", diz, enquanto dá uma leve borrifada de "Joy", de Jean Patou, no pescoço.

Nashila se enquadra no "padrão Gisele Bündchen de beleza": garota do Sul, de cabelos lisos e longos, pernas compridas, pele e olhos claros, as preferidas de latinos e americanos, segundo boates e agências de acompanhantes. Já os europeus, especialmente os alemães, os ingleses e os holandeses, querem as mulatas "do samba, tipo exportação", como as cariocas e as baianas, nas quais os excessos somam pontos.

De Feira de Santana (BA), Danny ("nome de guerra"), 20, diz que é dançarina. Habilidosa nos passos do axé, conta que dançou com bandas como Chiclete com Banana e Asa de Águia. No final de maio, recebeu um convite para trabalhar em São Paulo.

"Como estava o pessoal da Fifa por aqui, mais de 500 pessoas, além de um 'casting' absurdo de patrocinadores, a agência me chamou para o serviço de acompanhante", explicou a morena de cabelos encaracolados, olhos verdes e corpo de dançarina, "com pernão, bração e cia.", segundo definição dela própria, que rejeita a pecha de garota de programa.

Jornada dupla
Figurinhas fáceis nas micaretas da Vila Madalena, os turistas estrangeiros estão animando outras festas por São Paulo. O movimento em casas como Café Photo, Romanza e Bahamas triplicou. Na madrugada de quarta (18), por volta das 3h, mais de 300 homens se divertiam no Café Photo, no Itaim. Lá, só se falava em inglês. A maioria veio assistir ao jogo da Inglaterra, que perdeu de 2 a 1 para o Uruguai, na quinta-feira (19).

Os estrangeiros, que andam com fama de pechinchar até o preço de milho cozido, abrem a mão à noite e gastam, em média, R$ 700. Fora a grana das meninas, que vai de R$ 800 a R$ 2.000.

Executivo de uma empresa de energia, o galês Stephen (que não informou o sobrenome), 47, estava com oito colegas. "As mulheres são lindas. Não é tão caro. Gastaríamos mais em Londres." O Café Photo era a segunda casa que os britânicos visitavam no terceiro dia em São Paulo.

Para atender ao circuito AAA da prostituição, a rotina de trabalho segue a lógica do mercado: "Depende do dia, dos jogos da Copa e até do resultado de cada partida", diz a paulista Tábatha (nome de trabalho), 23, do Bahamas.

"Por exemplo, no período que antecedeu a abertura do Mundial e no fim de semana seguinte, foi puxado. Tinha muito trabalho nos hotéis de luxo e nas casas." Segundo ela, agora é hora de ganhar dinheiro. "Estou torcendo para times como Alemanha, Itália, França e Inglaterra. Os turistas desses países são os mais generosos", disse Tábatha, que, com as horas extras, já estava com passagem marcada para curtir o verão europeu na Itália. "Desta vez, sem trabalho. 'Just relax'."

Alcoviteiros da Copa
Quem também anda na correria são os taxistas. Nos arredores de luxuosos hotéis, eles se transformaram nos maiores onze-letras de São Paulo. São os motoristas que fazem a ponte entre "cliente" e "acompanhante". Ao levarem um gringo para o Romanza, por exemplo, ganham R$ 120. No Café Photo, o valor por cabeça é de R$ 80 –antes, não passava dos R$ 40.

"Eles querem saber onde estão as mais 'calientes', as de bumbum bem brasileiro", diz "Gordo", taxista que trabalha nos Jardins, principalmente com hóspedes do Tivoli e do Renaissance.

Para atendimento nos hotéis, que permitem ao hóspede receber a "convidada" no quarto, geralmente as "acompanhantes" chegam de motorista particular. "Para não dar bandeira", diz um "concierge", que, por motivos óbvios, pede anonimato.

Sob o pretexto de manter uma "política de privacidade", nenhum desses hotéis quis comentar o assunto.

"Nesse universo, quanto mais discreto, melhor para todo mundo", afirma o recepcionista, que anda feliz da vida com a "tip" (gorjeta) que recebe tanto das meninas quanto dos clientes delas.
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Fonte: Midianews.economia

segunda-feira, 23 de junho de 2014

A homofobia silenciosa

Por Vitor Angelo

Claro que agressões físicas contra LGBTs são a marca visível da homofobia, assim como os gritos de “puto” (viado, em uma gíria do espanhol falado no México e em outros países latino-americanos) escutado nos estádios nesta Copa do Mundo, mas ela só é a expressão em exagero de uma outra mais silenciosa, comedida e “educada”, aquela que se faz no silêncio e no constrangimento de uma minoria. Foi assim que entendeu Júlia Esmanhoto, 33, que trabalha com  políticas públicas e relações governamentais,  a atitude da gerente do restaurante Santinho do Museu da Casa Brasileira ao pedir para que um casal gay amigos dela “maneirasse” na demonstração de afeto.

O fato aconteceu há duas semanas durante uma festa junina que acontecia no museu. Ela, mesmo passado este tempo, resolveu procurar o Blogay pois achou que a situação não poderia morrer ali. Esmanhoto foi com o marido, uma amiga francesa e um casal de amigos, um catarinense e outro inglês, ao restaurante pois, além de ser um espaço aberto, raro na cidade, ela poderia mostrar a culinária brasileira. “Eles acabaram conhecendo outra faceta de uma parte do país”.

Segundo ela, “meu amigo e o namorado dele inglês deram um selinho e um estava com a mão na perna do outro, até que uma senhora de 50 anos se aproximou e, de forma muito educada, pediu para que os dois tivessem descrição”. Júlia relata: “eu não acreditei que aquilo estava acontecendo ali e disse que aquilo era preconceito e discriminação”.

Ao saber que era gerente do restaurante (ela disse que não conseguiu o nome da senhora, pois logo depois, ela desapareceu de cena), Júlia ficou mais indignada. “Meu padrasto é negro, eu sou mulher, eu conheço muito bem este tipo de discriminação e preconceito, que vem de forma sutil e silenciosa”. Júlia percebe esta forma de intimidação também uma violência, diferente da que tira sangue dos LGBTs, mas mesmo assim uma violência contra as minorias. Tanto que ela, mais tarde no mesmo dia, em outro restaurante, viu um casal de héteros se beijando efusivamente e ninguém os chamou a atenção.

Outro lado 
Blogay procurou o grupo Capim Santo no qual o restaurante Santinho faz parte e obteve a seguinte resposta: “Todos no Capim Santo estão muito tristes com o ocorrido. É totalmente contrária à nossa filosofia a discriminação, de qualquer ordem. Quem já esteve em nosso restaurante conhece nossa conduta. Além dos muitos clientes homossexuais, temos também muitos funcionários homossexuais, respeitados e felizes. O ocorrido certamente foi uma exceção motivada por uma interpretação pessoal de um comportamento que não nos convém julgar. Gostaríamos de nos desculpar com o casal e convidá-los a nos visitar novamente.  O fato só nos fez reafirmar com o nosso staff a missão do Capim Santo:  Fazer as pessoas felizes, com comida que conforta, em um ambiente amigável e feliz, para todos.”
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Fonte: Folha de São Paulo
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